sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

CONVERSA COM PATATIVA


Ô, meu caro Patativa
Sei, não me conhece bem
Mas como fã quero ter
Notícias – ó, meu vem-vem
Como está aí no céu
O que tem e o que não tem?

Falam muito bem daí
Novidades, maravilhas
Sei que por aí não tem
Morro, plantação, novilhas,
Serras, serrotes e grutas
Cravinote, enxada, ilhas

Está sendo bem tratado
Cortejado, defendido
Ou alguém tem lhe amolado
Lhe deixado ofendido
Já conversou com Jesus
O que a ele tem pedido?


Do que você se alimenta
Tem batata por aí
Mandioca água morna,
Graviola e o tal pequi
Carambola, peixe bom
Como cará, cangati?


O que mais lhe dá saudade
Sua foice, seu machado
Sua casinhola viva
Sua rede, seu terçado
Seu potinho de água fria
A melancia, o roçado?

Estou muito curioso
O que faz o Patativa
Num lugar iluminado
Sem uma gente nativa
Que lhe dê inspiração
E uma mente mais ativa?

Ó, homem pássaro do mundo
Não pode me responder
Nunca foi autorizado
Com terráqueo se meter?
Fico com teu verso bom
Que eu adoro muito ler!

Não tenha raiva de mim
Por estar lhe importunando
É que a saudade é tão grande
Gente acaba se lembrando
Reza por nós, meu poeta
O mundo tá precisando!

O mundo tá emborcado
Está tudo à revelia
A juventude perdida
Corrupção, covardia
Muito político safado
Que você já combatia

Eu lhe deixo um verso pobre
Desse pobre professor
Que foi nunca um versado
Apenas fala da dor
Também da Educação
Tratada com desamor!

 JOÃO TELES DE AGUIAR - professor

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