quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A trajetória dos trabalhadores do carnaubal


A produção de pó cerífero de carnaúba, em 2008, somou 18.468 toneladas em todo Brasil. O maior produtor nacional é o Piauí, com 12.454 toneladas, ou 67,4% do total produzido no País, na segunda posição está o Ceará, com 5.492 toneladas.


No ranking dos 20 maiores municípios produtores, oito são cearenses: Granja, Camocim, Coreaú, Santana do Acaraú, Moraújo, Morrinhos, Cariré e Uruoca.


Em conjunto, os 20 maiores municípios produtores foram responsáveis por 55,2% da produção nacional de pó cerífero de carnaúba em 2008.


A industria do pó da carnaúba vai desde a produção de velas até a confecção de chapéu artesanal, o que pouca gente sabe é que para que se chegue ao produto final uma longa jornada é percorrida.




A reportagem do Blog Publimarkes acompanhou um dia de trabalho e toda trajetória dos trabalhadores diarista do carnaubal bem como cada etapa da palha da carnaúba até que se chegue ao chamado ouro branco e conversou com arrendatário Francisco Filho que está no ramo há 16 anos. Ele conta que trabalhar durante todo verão com uma equipe de 20 homens é preciso acima de tudo muita coragem, pois tem muito dinheiro em jogo.

Durante todo verão, especificamente nos meses de agosto a dezembro, tudo começa com a figura do arrendatário que é o responsável pela contratação dos trabalhadores braçais que executarão desde a derrubada da palha até a organização dos molhos de palhas secas.

Decore bem esses nomes: vareiro, aparador, desenganchador, carregador, estendedor, riscadeiras, etc.




Numa série de reportagem que iremos mostrar a partir de agora você irá conhecer passo a passo a jornada de trabalho dos trabalhadores do carnaubal.
Nas fotos você pode ver como todo trabalho se inicia. O vareiro com uma longa vara de bambu e pequena foice na ponta derruba as chamadas palhas brabas e também os olhos de carnaúba. 


Entra em sena a figura do desenganchador de palha que tem a função de tirar as palhas que ficam enganchadas na vegetação e deixar no chão.




Na seqüência o aparador de palha com uma faca afiada tira o talo espinhoso e faz os molhos de palhas para que sejam carregadas. 



Um outro personagem se responsabiliza para pegar os molhos de palhas espalhadas no mato e coloca-las num local de fácil acesso.


O carregador coloca as palhas nos animais, que levarão até o lastro.




O estendedor tem a função de espalhar toda palha no solo de forma que fiquem assim divididas: palhas braba, mediana e olhos, de forma que fiquem secas pelo sol.


A hora do lanche comunitário, o cardápio é rapadura com biscoito ou ainda café. 




Depois que as palhas estão secas, os trabalhadores farão novamente o serviço de junta-las e fazer molhos que serão amontoadas . Os olhos seguirão para um quarto fechado onde passará por outro processo.





As chamadas palhas brabas são cortadas com uma máquina que tem a função de triturar a palha e separar o pó da carnaúba que é denominado de pó preto que será ensacado e vendido no quilo para a industria.


 


As palhas trituradas recebem o nome de bagana que será espalhada na terra e servirá como adubo para a plantação. 



Com relação as palhas denominadas de olhos, estas passarão por um processo para a retirada do pó branco. E as palhas servirão para a confecção do chapéu.





A riscagem da palha é feita por mulheres que tem a pratica de separar a unidades de palhas e riscar a costa do olho da palha para facilitar a retirada do pó branco.





Depois de riscada a palha vai para a chamada prensa de madeira que recebe de forma braçal pancada de cacetetes até que o pó caia sobre o chão.


Os olhos de palhas são feitos molhos em quantidades de 100 unidades que serão vendidas para a confecção do chapéu de palha artesanal. A confecção do chapéu de palha abordaremos em outra reportagem.



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