quinta-feira, 11 de março de 2010

CACHAÇA BRASILEIRA



As primeiras destilarias de cachaça (do século XVI ao XVII)  eram denominadas de "casas de cozer méis" e logo se multiplicaram, pela facilidade de já existirem engenhos para produção de açúcar e rapadura. A novidade foi tão apreciada que se tornou moeda corrente entre os escravos.
     A Corte tentou, várias vezes, proibir o consumo (em1635) e até a fabricação (em1639) da cachaça, mas não conseguiu. O motivo, logicamente era a concorrência com a Bagaceira. A bebida já era muito apreciada e servia também para abrandar o frio, sobretudo nas baixas temperaturas como as da Serra do Espinhaço em Minas Gerais, onde uma grande população se aglomerou em busca de ouro.
     Em 1756, não tendo tido êxito, na proibição da fabricação e muito menos do consumo, o Rei de Portugal resolveu taxar a nova bebida. A aguardente de cana-de-açúcar foi, nessa época, um dos produtos brasileiros que mais contribuíram com impostos. Esses recursos foram fundamentais para a reconstrução de Lisboa, abalada por um violento terremoto no ano anterior. A Aguardente brasileira foi assim, um símbolo de resistência à dominação portuguesa.
     Logo melhoram as técnicas de produção. A Cachaça era exaltada por todos como uma ótima bebida e consumida até em banquetes palacianos. Misturada ao gengibre e outros ingredientes, era apreciada também nas festas religiosas portuguesas com o nome de Quentão.
     Quando se iniciou a economia cafeeira, a implantação da república e a abolição da escravatura, a nossa cachaça passou a ser vítima de um preconceito irracional.
     Em 1922 no entanto, com a Semana da Arte Moderna, a cachaça ganhou novamente o reconhecimento que merecia. Outras invenções brasileiras, como o samba e a feijoada fizeram parte do resgate do brasileirismo.

Nenhum comentário: