terça-feira, 6 de agosto de 2019

quarta-feira, 10 de julho de 2019

VINTE E DOIS ANOS NO AR

Vinte e dois (22) anos de história no rádio. Exatamente em julho de 1997 através das ondas sonoras da Rádio Princesa do Vale FM iniciava a minha trajetória na radiofonia, para em 1999 me profissionalizar como radialista através do SINDRADIO-CE. Esse legado que começou com um programa religioso, em seguida um programa temático, para depois experimentar um de variedades denominado Tarde Total, um esportivo de nome Momento Esportivo, um no formato entrevistas e debates, o Tribuna Livre e finalmente aquele que mais me identifiquei. Programa Diário do Povo, por possuir uma estrutura de quadros que contemplam a notícia em geral, a entrevista, a participação do ouvinte, dentre vários quadros voltados para a função comunicativa e social do rádio. 

Vídeo comemorativo: 

domingo, 20 de janeiro de 2019

sábado, 12 de janeiro de 2019

MISTER CHICO O HOMEM QUE VIRA PEIXE



Chiquinho Abreu, cunhado do Nélson Albuquerque, da padaria do Rabo da Gata, resolveu instalar um circo na cidade, juntamente com o Nílton, genro do Otelino, entre outros.
O circo era simples, do tipo fundo de quintal, mas reunia razoável plateia nas noites enluaradas. Localizava-se no antigo curral do senhor Raimundo da Barra, logo ali, perto da barragem, próximo à saída para o Araquém.
Havia algumas boas apresentações, e os pagantes contribuíam com uma pequena quantia pela entrada e, ao final de cada “show”, todos saiam satisfeitos, pois riam demais, principalmente com as piadas do Chiquinho Abreu, que representava o palhaço do circo.
Certo dia, fazendo a propaganda do espetáculo seguinte, Chiquinho Abreu e seus amigos saíram pelas ruas da cidade, anunciado a atração que iria ficar na história. Diziam assim: “não percam hoje, o homem que vira peixe”.
Chiquinho Abreu era enfático nos dizeres “Não percam hoje, o homem que vira peixe”. Nem os outros artistas do circo sabiam a origem do homem que vira peixe.
O Nílton, que era seu sócio maior, ignorava sobre “o homem que vira peixe”e , preocupado, perguntou no decorrer do dia:
- Chiquinho, cadê esse homem e de onde ele vem?
Chiquinho Abreu respondeu:
-Não se preocupe. Ele já está hospedado na minha casa e se preparando para o “show”. É um verdadeiro artista.
Pronto, o Nílton se tranquilizou. 
Já estava anunciada na cidade inteira a atração da noite: “O homem que vira peixe”. Evidente que a população ficou admirada e ansiosa, aguardando o novo espetáculo que, iniciado, tinha o Tizil (da dona Mazé Alprimo), protagonizando o quadro “o homem vulcão”. Tizil colocava querosene na boca, depois pegava duas tochas acesas e soprava, fazendo uma enorme chama no ar. Depois vinha uma dançarina dançando lambada, o Nílton também fazendo a sua parte, e mais uns três, cada um fazendo suas apresentações.
O espetáculo acontecia, e Chiquinho Abreu, no picadeiro falava:
- Daqui a pouco, “o homem que vira peixe”.
O espetáculo estava quase acabando e Nílton não via nos bastidores do circo a figura do homem que vira peixe. Mais uma vez preocupado, dirigiu-se ao Chiquinho Abreu e lascou:
- Chiquinho, onde tá esse homem, rapaz, que não chega, pelo amor de Deus, tá todo mundo esperando?!
Com seriedade, Chiquinho disse:
- Tá lá na minha casa, tomando banho. Já ele chega.
Mais uma vez o Nílton respirou tranquilo.
Passados alguns minutos, toda a plateia esperando, aguardando.
Chiquinho Abreu finalmente disse:
- Senhoras e senhores, apresentaremos agora “o homem que vira peixe”, e mandou apagar as poucas lâmpadas de dentro do circo.
Todos esperavam por aquele momento. Seria algo diferente, extraordinário, porque num pequeno circo daquele, numa cidadezinha como a nossa, ter a oportunidade de ver um quadro espetacular, “o homem que vira peixe”, seria fascinante e inesquecível.
De repente, as luzes se acendem e aparece um homem com uma frigideira na mão. Dentro da frigideira vários peixes: carás, piaus, piabas, sovelas.
Era o Chiquinho Abreu que, com movimentos rápidos, balançava a frigideira para cima e para baixo, fazendo virar os peixes de dentro dela, movimentos estes parecidos com os de quem está assando uma tapioca no fogão a gás.
A plateia ficou chateada e passou a vaiar o Chiquinho Abreu, que teve que sair quase que escoltado do circo, se não, iria apanhar.  


FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE
Professor
Coreaú-CE
Observação: Esse texto é uma adaptação, baseado em relato do próprio Chiquinho Abreu.